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[RTBF (rádio belga)] Josef Schovanec fala do Museu Nacional do Brasil, do Imperador Pedro II, da primeira Embaixada física do Autistão no Rio de Janeiro, do nosso modesto projeto "Museu dos autistas"

Antecedentes: incêndio no Museu Nacional do Brasil no Rio de Janeiro em 2 de setembro de 2018 (artigo da wikipedia) (veja as nossas observações sobre este drama, no final do artigo.)

Após este trágico e muito triste evento, nosso amigo autista Josef Schovanec, criador do nome “Autistão” e padrinho de nossa organização, expôs a história fascinante e não cantada do Imperador Pedro II do Brasil (cujos traços autistas parecem obvios).
Ele concluiu seu discurso falando sobre nossos esforços aqui no Rio de Janeiro, com a primeira Embaixada física de Autistão (ou seja, a primeira Embaixada dos autistas), e nosso modesto projeto “Museu do Autistão” (que acabará por ser nomeado “Autismuseum” (“Autismusée”/”Autismuseu” etc.).

É possível:

(transcrição ou tradução aproximada)

“Olá, esta semana foi marcada pelo fogo trágico do Museu Nacional do Brasil. A m
ídia falou sobre isso, e então eles foram, sem surpresas, para qualquer outra coisa. Claro, eu também
tenho sido chocado quando vejo tantos tesouros desaparecem, mas não só: o Mu
seu Nacional do Brasil esconde na verdade uma história singular que me deu
a pensar por vários anos agora.
Aqui: o Museu Nacional estava de fato localizado no antigo Palácio Imperial do Brasil. Pois si
m, o Brasil era um império no século XIX. E é um dos imperadores que eu go
staria de falar: Pedro II do Brasil. Muitas vezes é dito, não sem razão, que as pessoas
autistas podem exercer todos os comércios no mundo ou quase-com exceção da política, porque, com
o sabemos, as pessoas autistas se recusam a mentir. No entanto, em alguns casos raros, por al
gum capricho do destino, um autista parece ter acesso ao poder político.
Pedro II do Brasil, ascendeu ao trono quando era apenas uma criança, poderia ser um
dos exemplos mais intrigantes. Digamos que seu perfil foi, e é pouco para dizer, mais d
o que peculiar, para os antipessoais de seu pai, Peter I, que havia multiplicado as escapadas d
e toda a ordem antes de partir, deixando seu país à beira da guerra civil.
Todos tinham notado que o novo imperador, Peter II, era estranho. Des
de a infância, ele parecia estar interessado apenas em livros, que ele devorou de acordo com um cr
onograma rigoroso que ele, entretanto, respeitar toda a sua vida. A verdadeira questão er
a como explicar estas estranhas: normalmente, os biógrafos dizem que é refúgio n
os livros para fugir das intrigas políticas do tribunal. Eu não estou tão certo:
como podemos explicar, por exemplo, seus defeitos de fala? Po
is sim, Pedro II pode ter sido um hiperpoliglota dominando uma lista sem fim de língua
s, sua dicção era deficiente: muitas vezes ele falava apenas de uma palavra isolada; Al
ém disso, ele foi incapaz de articular certas palavras simples na aparência, como
“dama”, madame, que ele pronunciou “daDama”. Tal criança, agora na Europa, ter
ia sido considerada deficiente e teria sido excluída da escola; O mesmo rolamento
da coroa imperial passou como majestoso em face das brigas e do alto verbo dos
cortesãos. Tudo é relativo.
Os problemas começaram para Pedro II no início da idade adulta: os conselheiros do trib
unal tinham uma idéia aparentemente brilhante: para torná-lo normal, ele tinha que se casar.
Felizmente, na época ainda havia uma forma que eu ia dizer casamento autista,
ou seja, o casamento remoto. O que foi feito. Infelizmente, quando, muito mais tarde, a e
sposa do Imperador finalmente chegou ao Brasil, Pedro II teve um choque, começou a chorar e disse “el
es me enganaram, daDama”: não se assemelhava de forma alguma, é claro, o retrato que lhe foi apr
esentado antes do casamento.
O resto de sua vida foi dedicada, como era sua infância, para investigações científicas.
Sua erudição em moluscos, conchas e outros animais estranhos foi tal que os maiores
estudiosos de seu tempo, incluindo o próprio Darwin, ficaram deslumbrados com se
u conhecimento. O Museu Nacional que a humanidade acaba de perder devido muitas a es
tas décadas de trabalho de coleta de pacientes e autistas.
A nível político, Pedro II entrou na história porque, em particular, a abolição da
escravidão. Para este dia, para os brasileiros, Pedro II é o político mais popula
r na história do país, por causa de sua simplicidade, seu estilo de vid
a particularmente econômico, longe da corrupção que gangrena a classe po
lítica brasileira, sua reta Moral.
Pedro II morreu como ele havia vivido: sozinho e pobre, exilado em Paris, tendo abandonado u
m trono ao qual ele não segurava.
Fim da história? Não é bem assim. Acontece que a história do autismo no Rio poderi
a em breve recuperar. É realmente lá, não muito longe do antigo Palácio Imperial que se to
rnou um museu, que um amigo autista, Eric Lucas, estabeleceu a primeira Embaixada do Autistão. E
logo um auti-museu.


Nossas observações sobre este drama:

Membros da organização diplomática Autistão e muitas pessoas autistas ao redor do mundo estão muito chocados e entristecidos pelo fogo que destruiu o Museu Nacional do Brasil.
As pessoas autistas são muito apegados às noções de “conservação” e “coleções”.
Nós não entendemos como uma coisa tão incrível (e absurda) poderia ter acontecido, ao passo que, precisamente, os museus são feitos para preservar e proteger.

Tal concentração de peças originais deve exigir esforços de segurança exemplares.
Caso contrário, é muito mais seguro não coletar essas peças em lugares únicos (e frágeis).
Este é um terrível desastre para a herança da humanidade, mas é, infelizmente, um exemplo fraco do que o homem “ordinário” pode fazer ou deixar fazer.
Desastres devido apenas ao homem “ordinário” são repetidos e multiplicar, mas nós (autistas) somos julgados “deficiente” por essas mesmas pessoas, supostamente “responsáveis”…